Veja entrevista no programa ‘Fala, doutor’

Defendi a tese — a biblioteca da universidade em que estudei deve disponibilizá-la online em breve. Isso significa que virei doutora. E isso significa que pude ser entrevistada num programa da Univesp TV (Universidade Virtual do Estado de São Paulo) chamado “Fala, doutor”. A TV é um canal digital que transmite conteúdos educativos produzidos pelas universidades estaduais paulistas.

Em meia hora, falei com o jornalista Rodrigo Simon sobre minha tese, que teve como título final “’Fala connosco’: o jornalismo infantil e a participação das crianças, em Portugal e no Brasil”. No vídeo, comento a escolha do tema e os principais resultados da pesquisa e falo sobre a vivência acadêmica em Portugal.

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Portugal ganha rádio online para crianças

O foco não é jornalismo, mas sim literatura. Há contação de histórias, músicas e entrevistas com autores. Tudo online. Ao vivo ou armazenado no site (com divisões de programas mais adequados a diferentes faixas etárias. A “Rádio para miúdos” diz ser a “a primeira rádio para crianças em português” – em português lusitano, como o nome já diz.

Há dois apresentadores que fazem comentários ao vivo de segunda a sexta, das 14h às 16h (horário lisboeta). Para o nosso modo de falar português, essa transmissão pode parecer num tom mais sério, ou formal que o usual, mas, para a cultura lusa, faz sentido que assim seja.

Nesse horário, ocorre apresentação de músicas, não somente infantis (canções brasileiras também entram na programação). Além disso, o ouvinte tem explicações sobre expressões em português e notícias relacionadas à língua portuguesa, pois um dos objetivos da rádio é “combater o ‘desamparo da língua’ com que muitos emigrantes se deparam quando passam a residir no estrangeiro”.

Uma pena que não tenhamos nada assim, por aqui, pelo que eu saiba….

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Página inicial da rádio Miúdos, que tem apoio da fundação Calouste Gulbenkian

 

‘Pequeno leitor’ é resenhado na Verso e Reverso

A última edição da revista “Verso e Reverso”, publicada pela Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), traz resenha do livro “Pequeno leitor de papel”, fruto de minha dissertação de mestrado, defendida na Universidade de São Paulo. A avaliação foi feita pela professora Thaís Helena Furtado, também da Unisinos, cujo doutorado se voltou ao jornalismo infantil. Leia sua tese aqui.

No texto, cujo título é “A importância social da voz das crianças no jornalismo”verso, Thaís diz que “pensar sobre como é produzido o jornalismo infantil impresso no Brasil […] é, ao mesmo tempo, ir às origens e apontar questões futuras de uma questão ainda nebulosa: o que está em jogo quando se pensa na relação da criança com a mídia?”.

Nesse sentido, ela entende que o consumismo, tema sempre explorado nos estudos da relação entre infância e mídia e tradicionalmente vinculado à TV, também deve ser analisado no jornalismo impresso para crianças. E mostra que minha pesquisa traz conclusões que podem auxiliar a pesquisa nessa área:

Na sociedade contemporânea, para que um grupo seja socialmente aceito, é necessário que ele tenha poder de consumo. Se, por um lado, a mídia – e, em especial, o jornalismo – ajuda a fortalecer grupos sociais, se direcionando a eles, também acaba por estimular o consumismo nesses grupos. E aí está outra importante conclusão da pesquisa de Doretto (2013): nem sempre as crianças são ouvidas, e os temas noticiosos pouco aparecem nos suplementos. Ou seja, a opinião das crianças ainda não é totalmente valorizada.

‘Folhinha’ explica crise dos refugiados às crianças

guerraO suplemento para crianças da “Folha de S.Paulo”, a “Folhinha”, trouxe em sua última edição um texto sobre os refugiados que chegam à Europa fugindo da guerra da Síria: leia aqui.

A imagem do menino morto nas areias da Turquia percorreu o mundo, enchendo páginas de jornal, telas de TV e sites de notícias. Nessa avalanche de informações, é de esperar que as crianças tenham visto essa imagem (ou outras sobre a crise dos refugiados), e não tenham entendido bem a situação: os pais não lhe falam sobre isso, achando que não interessa aos filhos, ou a escola pode não ter achado que era um assunto adequado aos meninos e meninas, sobretudo aos mais novos.

No entanto,pesquisas na área indicam que as crianças se solidarizam com outras em sofrimento e, quando não entendem o que acontece, o medo e a ansiedade tendem a crescer. Daí a importância de um trabalho como a “Folhinha”.

O caderno perdeu metade de suas páginas neste ano — de oito para quatro páginas –, mas, apesar dessa redução, que deu menos espaço ao desenvolvimento de reportagens, o texto de Diogo Bercito cumpre bem sua função. E o veículo, acertadamente, evita a imagem da criança morta. Recomendo aos pais que leiam com os filhos ou indiquem a eles a leitura.

A “Folhinha” já tinha feito isso antes, em 2014, analisado neste blog. Veja aqui.

Leia artigo publicado em dossiê sobre infância na América Latina

‘Escreva-nos’: a participação do leitor no jornalismo infantojuvenil brasileiro e português é o título de artigo publicado na nova edição da “Ponta-e-Vírgula” (capa abaixo). A revista, coordenada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUC de SP, traz neste número o dossiê “Infâncias, culturas e contextos políticos na América Latina”, do qual o texto faz parte.

O dossiê é um proposta do do Grupo de Trabalho “Juventudes, Infancias: políticas, culturas e instituciones sociales” da Clacso (Consejo Latinoamericanocover_issue_1446_pt_BR de Ciencias Sociales). Meu artigo deriva de um texto que foi apresentado no 3º Congresso Literacia, Media e Cidadania, em Lisboa, em abril. O resumo segue abaixo:

Este trabalho trata da participação de leitores no jornalismo infantil no Brasil e em Portugal. Discutimos o que Buckingham (2009) entende como direito à participação nos media: é preciso “ver as crianças a conseguirem falar mais directamente, colectivamente e aos produtores e legisladores”. Nesta proposta, analisamos cartas enviadas à revista mensal “Visão Júnior”, única publicação jornalística destinada às crianças em Portugal, e ao magazine brasileiro “Ciência Hoje das Crianças”, voltado à divulgação científica para o público infantojuvenil. Estudamos as cartas publicadas no primeiro semestre de 2014 pelas duas revistas. Observamos que as sugestões de pauta são as que predominam, o que indica uma audiência infantil ativa, que busca melhores representações midiáticas da infância contemporânea. Nota-se também que boa parte das mensagens foi enviada por meninas, que, ao contrário dos meninos, parecem cultivar uma relação de fã com o jornalismo a elas destinado.

Trabalho em conferência na Universidade de Westminster discute o jornalismo infantil

11997470_10154276966104569_1402062386_nApresentei trabalho na conferência “Comparing Children’s Media Around the World: Policies, Texts and Audiences”, organizada pelo Communication and Media Research Institute, da Universidade de Westminster, em Londres, no começo de setembro.

O trabalho foi derivado da minha pesquisa de doutorado e tinha como título “Journalism for children: in search of a definition”. Leia abaixo o resumo da apresentação, em inglês:

This paper comes from a PhD research conducted at Universidade Nova de Lisboa (Capes scholarship 0860/13-1), which investigates, as one of its goals, the readers’ participation in magazines whose public are children, in a comparative way, in Brazil and Portugal.

In this work we propose a definition for the journalism made for children. For this task, we analyze some defining elements of journalism, like the notions of happening, actuality and periodicity (Fontcuberta, 2010). The goal is to realize, by literature review. if the criteria that define news in journalism made for children are the same in mainstream journalism, as well to identify whether the construction of narrative maintains aspects considered universal in journalism practices.

In other words: are there differences between the journalism for adults (we name it here as “mainstream journalism”) and the one whose public are children? Is the second related more to entertainment than to news? Even more: is it correct to call it “journalism”?

Besides, Traquina (2005: 14) says that “it is not possible to understand why news is the way it is without understanding the professionals who are the ‘specialized agents’ in the journalistic field”. This statement means that journalism needs to be understood not only as a process (a set of practices) or as a text, but also as a profession – or it is necessary to try to define journalism also through people who work as journalists (Zelizer, 2004). They share points of view, references frames and judgments, or we can also say that they form an “interpretative community”.

Having said that, we interviewed six professionals who work with this kind of journalism, in Brazil and Portugal (countries which constitute our practical work field), to understand if they conceive their work as journalism and, if so, the reasons for this.

Artigo em dossiê sobre jovens e consumo midiático traz dados de Brasil e Portugal

Um dos artigos da nova edição da revista “Contemporanea”, publicada pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia, traz a minha assinatura, em parceria com minha orientadora, Cristina Ponte. O texto é parte de minha produção para a pesquisa de doutorado que desenvolvo na Universidade Nova de Lisboa

O trabalho “Brasil e Portugal: infâncias contemporâneas e suas culturas digitais” faz parte do Dossiê Temático Jovens e Consumo Midiático, com textos de Nilda Jacks e Vera França, entre outros. O texto de Doretto e Ponte cruza dados quantitativos de pesquisas nacionais de Brasil e Portugal e parte com uma reflexão sobre o consumo midiático presente no filme “Boyhood”, cujo trailer vem abaixo:

Na apresentação, a revista diz que “o fechamento do dossiê fica por conta do texto de Juliana Doretto e Cristina Ponte sobre as particularidades e similaridades entre culturas digitais de meninos e meninas de Brasil e Portugal. Algumas questões instigantes aparecem na pesquisa como a individualização dos media, as condições de uso e sobretudo, o sub-aproveitamento dos dispositivos tecnológicos por parte desta geração digital que os utiliza predominantemente para comunicação e entretenimento, pouco investindo na apropriação dos aparelhos para manifestação de ideias. As autoras finalizam com uma indagação que convoca o leitor a refletir: Por que elas [crianças] criam pouco conteúdo original [na internet]?”