Portugal ganha rádio online para crianças

O foco não é jornalismo, mas sim literatura. Há contação de histórias, músicas e entrevistas com autores. Tudo online. Ao vivo ou armazenado no site (com divisões de programas mais adequados a diferentes faixas etárias. A “Rádio para miúdos” diz ser a “a primeira rádio para crianças em português” – em português lusitano, como o nome já diz.

Há dois apresentadores que fazem comentários ao vivo de segunda a sexta, das 14h às 16h (horário lisboeta). Para o nosso modo de falar português, essa transmissão pode parecer num tom mais sério, ou formal que o usual, mas, para a cultura lusa, faz sentido que assim seja.

Nesse horário, ocorre apresentação de músicas, não somente infantis (canções brasileiras também entram na programação). Além disso, o ouvinte tem explicações sobre expressões em português e notícias relacionadas à língua portuguesa, pois um dos objetivos da rádio é “combater o ‘desamparo da língua’ com que muitos emigrantes se deparam quando passam a residir no estrangeiro”.

Uma pena que não tenhamos nada assim, por aqui, pelo que eu saiba….

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Página inicial da rádio Miúdos, que tem apoio da fundação Calouste Gulbenkian

 

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Crianças falam sobre a crise em Portugal; veja vídeo

A Rádio Renascença, de Portugal, fez um vídeo apenas com crianças (“miúdos”, em Portugal), em que eles falam sobre a crise econômica pela qual o país passa. Sem narração e sem as perguntas feitas pelos repórteres, são as frases dos meninos e das meninas que constroem a narrativa: elas falam sobre os efeitos da crise, o medo do que pode vir a acontecer por conta da recessão (que não são pequenos), o que pode ser feito, como os que os políticos portugueses devem agir…

Sem título

Um belo exemplo de jornalismo com crianças e, ao mesmo tempo, para as crianças [ainda que não direcionado a elas, já que a rádio tem um caráter generalista). Um vídeo feito com respeito pela opinião dos “miúdos”, sem tratá-los como pessoas ingênuas, que nada sabem da sociedade em que vivem. Luís, 9 anos, diz que “não gosta de ouvir falar disso [da crise]… Porque preocupa-me”. E dá um grande suspiro… Já Alexandre, 8 anos [na foto acima] resume assim o cenário mundial (ou, pelo menos, europeu): “Uns conseguem saltar por cima do buraco e os outros afundam-se”.

Clique e veja o vídeo:

http://videos.sapo.pt/kgLfLvAolRvabLZVQ6pZ

Empresa pública espanhola faz programa de rádio para crianças

A RTVE, empresa pública de comunicação da Espanha, lançou um programa de rádio para crianças. A dica veio da ombudsman de rádio da RTP, o canal público português. O programa da “Estación azul de los niños” é transmitido por rádio, mas também fica disponível na internet: http://www.rtve.es/infantil/noticias/estacion-azul-ninos-paseo-alfombra-roja/794420.shtml.

No programa online, há formatos tradicionais no jornalismo para crianças, já criticados por mim em trabalhos anteriores: apresentação de um espetáculo teatral em em Madri (e as crianças que estão longe da capital?);  indicação de livro (e os meninos que não podem comprá-lo?) e concurso de desenhos (será que é preciso estimular ainda mais a competitividade, além do que a sociedade já alimenta(mos)?).

Por outro lado, o produto — que por si só já é uma boa novidade; não há nada similar com transmissão em rádio no Brasil e em Portugal, pelo que eu saiba –, traz uma entrevista inteligente com uma autora de livro, Violeta Monreal, sobre a “beleza”, tema de sua obra: “Encontro beleza sobretudo no trato com as pessoas, no sorriso dessa criança, […] e não numa grande catedral”. Além disso, há gravações com crianças que respondem à pergunta da semana (qual seu instrumento musical preferido?), e é bom ouvir crianças em veículos dedicados a elas, o que nem sempre ocorre. Além disso, uma matéria sobre um festival de cinema infantil em Madrid serviu de gancho para uma entrevista sobre a dublagem.

O rádio estimula nossa imaginação e pode se aproveitar das plataformas online para crescer, ainda que seja com outros formatos. Numa empresa pública de comunicação, esses experimentalismos, bem como a preocupação com as crianças, são deveres, mais do que uma inovação.