Portugal ganha o Jornalíssimo, site de notícias para jovens

Boas notícias não são tão comuns na área do jornalismo infantil. Sábado passado (2), por exemplo, tive a ingrata surpresa de ver a “Folhinha”, suplemento infantil da “Folha de S.Paulo”, no Brasil, com apenas quatro páginas, quando o habitual eram oito. Vamos ver como a edição prossegue, mas, se a redução se confirmar, é uma perda para um suplemento com mais de 50 anos de existência. Bem, mas a notícia feliz é o surgimento de mais um veículo destinado à produção de notícias para os mais novos, desta vez em Portugal.

Sem título

O Jornalíssimo é “um site de informação destinado a jovens a partir dos 12 anos de idade, com notícias sobre ambiente e animais, ciência e tecnologia, artes, desporto e política”, segundo a definição do próprio canal. “As notícias são tratadas de forma rigorosa, com uma linguagem clara e sem tabus, adequando os temas a um público juvenil, que tem hoje poucos espaços noticiosos que lhe sejam dirigidos.”

Quem toca o projeto é a jornalista Joana Fillol, que passou pela “Visão Júnior”, revista que estudo em meu doutorado. Joana também já começou seu doutoramento na Universidade do Minho, mas teve de parar os estudos por conta do site.

Acompanhar um profissional dar origem e colocar de pé, sozinho, um projeto assim dá imenso gosto. Sabemos as dificuldades para a produção dos textos, para tentar fazer do site o seu sustento. E Joana acerta no tom das reportagens, que não menosprezam a inteligência do leitor, e nos temas abordados, que vão de assuntos recorrentes na mídia a curiosidades que, pelas pesquisas, atraem muito os leitores mais jovens, como animais e novidades científicas.

O português é o luso, e claro, mas isso não limita a leitura para os brasileiros. Aliás, o site não fica restrito ao interesse dos mais novos. Veja a clareza do texto sobre o Boko Haram: infelizmente nem sempre encontramos isso no jornalismo para adultos.

Como sugestão ao Jornalíssimo, ficam: 1. Investir mais em canais de interação com o leitor (a criação de um aplicativo para celular também pode angariar mais público); 2. Entrevistas com jovens, para que eles sejam mais ouvidos como fonte de informação, já que o jornalismo para adultos faz muito pouco essa escuta; 3. Mais reportagens sobre cultura pop, que é parte tão integrante da vida dos jovens e que sempre pode ter tratamento noticioso mais interessante do que o jornalismo de celebridades.

De todo modo, vida longa ao Jornalíssimo!

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