Pesquisa com 2.500 entrevistas mostra que papel ainda tem lugar no cotidiano das crianças

 A Ipsos, uma empresa privada de pesquisa de mercado, fez um levantamento sobre hábitos das crianças no Brasil. Para ter acesso a toda a pesquisa, é preciso pagar, mas alguns dados foram liberados. O levantamento tem duas partes — chamadas de EGM Kids e de EGM Babies –, que foram realizadas, respectivamente, com pais ou responsáveis por meninos e meninas de zero a cinco anos (Babies) e de 6 a 9 anos (Kids).

Segundo a empresa, foram realizadas 2.500 entrevista, de 20 de agosto a 20 de setembro de 2013, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Fortaleza, Salvador, Distrito Federal e Goiânia, além do  interior de São Paulo, “em residências com presença de crianças na faixa de 0 a 9 anos de todas as classes econômicas, com questionário adaptado para o público infantil”.

Não foram divulgados dados das suas pesquisas separadamente, o que coloca opiniões de pais e de crianças sob um mesmo guarda-chuva: não apenas porque os hábitos das crianças muito pequenas estão notadamente marcados por atividades que seus pais fazem com elas mas também porque, no caso das de cinco anos, por exemplo, a opinião dos pais pode não refletir as ações das crianças (e sim o que eles pensam que os meninos gostam de fazer). De todo modo, segue o que foi disponibilizado:

  • 32% das crianças utilizam internet
  • 25% dos entrevistados disseram que gostam de ficar na frente do computador (sendo 9% babies e 40% kids)
  • 12% declararam achar o computador chato (sendo 13% babies e 12% kids)
  • 93% das crianças assistem à TV (98%, todos os dias). Em seguida, aparecem leitura de revistas, com 64%; música, 51%; videogame, 47%; cinema, 38%; internet, 32%; e jornais, 16%
  • 69% prefere brincar ao ar livre que assistir à TV
  • 25% a 30% das mães, dependendo da faixa etária das crianças, entregam seus aparelhos eletrônicos, como tablets ou celulares, para seus filhos com objetivo de consolá-los.

e…

  • 96% dos 2.500 entrevistados afirmaram que a família é a parte mais importante da vida deles
  • 87% dizem que gostaria de ser mais populares e queridos entre os amigos.

Um rápido comentário sobre os dados: a pesquisa comprova o que outros estudos mostram: o acesso à internet no Brasil pelas crianças ainda é precário (note-se que a pesquisa envolveu todas as faixas de rendimento) e a presença (e opinião e suporte) da família e dos amigos são importantes delineadores dos hábitos e das ações das crianças.

Não é possível afirmar, com os dados que temos, de onde vêm os 40% de crianças que acham o computador chato (ou a pouca porcentagem que gosta de ficar em frente a ele, 25%): seria falta de estímulo parental?; preferem tablets?; crianças que têm computador, mas não internet?

A TV continua ocupando posição importante nas atividades das crianças, mas as revistas aparecem com grande destaque (64%) e até os jornais têm certa presença (16% afirmaram ler — imaginamos que a escola tenha certa responsabilidade por isso). O que mostra que, pelo menos numa sociedade com fosso digital, como a nossa, a mídia em papel ainda tem lugar no cotidiano das crianças.

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