Painel em evento da ECA/USP aborda o uso crítico das tecnologias para as mudanças sociais

Em novembro de 2018, participei do II Congresso Internacional de Comunicação e Educação, evento da ECA/USP que abordou questões sobre tecnologia, gênero, etnia, sustentabilidade e diálogos sociais.

Fui convidada para a mesa “Tecnologias enquanto mobilizadoras de mudanças culturais e civilizatórias”, que reuniu também Daniela Costa, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação – Cetic.br, Jamila Venturini, da Rede Latino-americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade (Lavits) e Beatrice Bonami, da Escola do Futuro – USP, que falaram sobre os limites e dificuldades dos usos das novas tecnologias na educação e na vida social. A coordenação ficou a cargo do professor Nelson de Lucca Pretto, da Universidade Federal da Bahia.

Em minha participação, falei sobre a necessidade de os jovens de terem acesso à informação jornalística destinada para eles e, ao mesmo tempo, sobre a pouca representação deles nos discursos noticiosos tradicionais, trazendo algumas falas coletadas em parte dos grupos focais realizados em minha pesquisa atual. Os resultados consolidados dessas entrevistas serão publicados em artigo científico ainda em 2019.

dia_painel3-1024x768

 

Anúncios

Mesa em evento na UFF debate a mídia e as narrativas juvenis

Em 26 de novembro, participei do I Encontro ‘Narrativas da saúde, da memória e dos afetos: entrelaçamentos midiáticos e geracionais’, organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano da Universidade Federal Fluminense, em Niterói (RJ).

Crédito: Lampe/UFF

Carla Felix, eu e Denise Siqueira, durante mesa que abordou o protagonismo juvenil 

Fui convidada para falar na mesa “Narrativas juvenis: protagonismos e representações”, e apresentei resultados iniciais de minha pesquisa sobre o entendimento do que é notícia por adolescentes periféricos da cidade de São Paulo, mostrando que, para os jovens entrevistados, o termo designa mais do que a narrativa jornalística convencional: envolve publicações em redes sociais e no YouTube ou mesmo dados que chegam pelo WhatsApp, desde que seja algo novo e interessante para eles. Isso, no entanto, não faz que os adolescentes deixem de reconhecer os textos do jornalismo dito profissional também como uma produção noticiosa, ainda que critiquem com certa veemência a isenção e qualidade de parte desse conteúdo.

Da mesa, participaram também a professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Estadual do RJ Denise Siqueira, que apresentou análise sobre clipes de mulheres fankeiras, como Jojo Maronttinni, Ludmilla e Valesca Popuzuda, e Carla Felix, professora do Departamento de Comunicação e da Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano da UFF, que falou sobre o consumo noticioso de jovens universitários e dos últimos anos do ensino médio — trabalho que dialoga bastante com o meu e cujos resultados iniciais foi publicado em artigo na revista Novos Olhares, da USP. Veja aqui.

Monografia mostra o que crianças periféricas de SP pensam sobre o jornalismo

“’As crianças não podem saber de nada. Só os adultos’:  Meninos e meninas das periferias e as notícias jornalísticas” é o título do trabalho de conclusão do curso de jornalismo de Andressa Ribeiro Sales, que tive o prazer de orientar no Fiam-Faam Centro Universitário.

No trabalho, Andressa entrevistou 18 crianças de famílias de menor rendimento, com faixa etária entre 10 e 12 anos e moradoras de regiões periféricas de São Paulo, Cidade Dutra e Grajaú, na zona sul. No resumo da monografia, a estudante diz que “buscou compreender como se dá o consumo de notícias jornalísticas feito por elas, sobretudo na Internet e meios digitais”, já que pesquisas quantitativas mostram que a maioria das crianças brasileiros costumam fazer uso regular dessas tecnologias, sobretudo do celular.

Crédito: SBPJor

Andressa Sales apresenta seu trabalho de iniciação científica durante o último JPJor, em SP

Em suas conclusões, Andressa conclui que, “assim como mostram outros trabalhos da área, as crianças têm consciência sobre o que é notícia jornalística e que seu consumo de notícias é feito primeiramente na televisão, apesar de usarem a rede com frequência”. Além disso, o trabalho mostra que “o jornalismo sensacionalista está presente da vida das crianças que moram na periferia de forma mais intensa do que nas classes mais altas, e isso tornou-se referência para elas no que diz respeito às notícias”.

A aluna também realizou uma pesquisa de iniciação científica durante o seu curso, orientada por mim, que deu origem ao seu TCC (o trabalho de conclusão ampliou o estudo inicial). O resultado dessa investigação foi apresentado no último congresso JPJor (Jovens Pesquisadores em Jornalismo), ocorrido em São Paulo, em 2018, e publicado na revista Anagrama, da Universidade de São Paulo, no fim de 2018. Veja o texto aqui: https://www.revistas.usp.br/anagrama/article/view/150383. 

 

TCC de alunas da Cásper Líbero desenvolve site de curiosidades para crianças

Tive o prazer de fazer parte da banca de avaliação do TCC das alunas de jornalismo da Cásper Líbero Beatriz Carvalho de Souza, In Young Park e Lívia Galassi Vitale. As estudantes desenvolveram o site Tim Tim por Tim Tim. Tendo como lema “Transformando pequenos curiosos em grandes pensadores”, a página tem o objetivo de “informar sobre assuntos do universo das crianças e também da sociedade em geral”. O foco é sobretudo apresentar curiosidades científicas e históricas às crianças, temas já identificados pela literatura acadêmica como de agrado dos meninos e meninas. 

tim

O Tim Tim por Tim Tim é mais um bom exemplo de projeto experimental que se volta para o jornalismo infantojuvenil. As estudantes desenvolveram conteúdos que exploram diferentes formatos, como vídeos, podcasts e jogos, e fazem bom uso de gifs; o design do site também foi desenvolvido pelas alunas. A página traz pautas divertidas, como “Por que as conchas têm o barulho do mar?”, “Para onde vão as estrelas cadentes?” e “Por que unhas, cabelos e pelos crescem?”. Vale a pena dar uma olhada!

Artigo feito em parceria com Thais Furtado discute a representação da criança no jornalismo

Thaís Furtado, professora adjunta do Departamento de Comunicação/Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e eu publicamos artigo científico na revista E-Compós, da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós). Intitulado “A “invasão” das crianças no discurso jornalístico: a representação não desejada da infância”, o texto dedica-se a analisar os estereótipos por meio dos quais meninos e meninas são representados nas narrativas jornalísticas.

A análise é realizada com base na entrevista do professor universitário Robert Kelly à rede de televisão britânica BBC World News, em março de 2017: a “invasão” dos filhos do pesquisador no quarto onde ocorria a transmissão ao vivo (veja acima) teve grande repercussão, gerando discussões sobre estereótipos relacionados às figuras de pai, mãe e mulher estrangeira. Mas o evento também trouxe uma representação não esperada da infância, em que o brincar das crianças perturbou a “seriedade” advogada pelo discurso jornalístico.

“Eles [os filhos] interferem, assim, no contrato de comunicação estabelecido entre os interlocutores, marcado pela seriedade, e “forçando” que a infância seja representada, nesse discurso jornalístico, de modo não habitual: crianças brincando, comunicando-se, entre si e com os pais”, diz o texto.

Leia o artigo na íntegra:

http://www.e-compos.org.br/e-compos/article/view/1471/1037

Veja entrevista sobre jornalismo infantojuvenil publicada pelo Centro Knight

Como produzir conteúdo jornalístico para jovens leitores. Esse foi o tema da entrevista que concedi ao Centro Knight para o Jornalismo nas Américas. Na conversa, expliquei que, no Brasil, os suplementos infantis em grandes jornais foram durante muito tempo a porta de entrada das crianças ao jornalismo impresso e o principal espaço de desenvolvimento da mídia infantojuvenil no País. Esses cadernos, porém, são cada vez mais raros. “Este é um sintoma da crise dos impressos e da pouca importância dada ao público infantil pelo jornalismo profissional.” Além disso, ressaltei que as crianças “também assistem às notícias na televisão e no rádio. Nós é que não conversamos com elas sobre isso”.

Juliana Doretto (captura de tela do YouTube)

Falei também as crianças tendem a ser bastante impactadas por notícias que dizem respeito a outras crianças, ainda que se trate de uma cobertura jornalística feita para adultos. “Por exemplo, o que está acontecendo nos Estados Unidos: ela assiste a um telejornal com a família e vê crianças enjauladas. Ela sente pena, tristeza, medo, e a gente não conversa sobre essas notícias com as crianças.”

Nesse sentido, o jornalismo pode ajudá-las a compreender esses acontecimentos e a situá-las em sua realidade. “O jornalismo infantojuvenil é importante para a formação da criança como cidadã, como sujeito vivendo em sociedade. Somos parceiros do nosso público na tentativa de compreender o mundo, somos um dos canais que dão sentido ao mundo para nosso leitor.”

Leia a reportagem na íntegra: https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-20002-como-produzir-noticias-para-jovens-leitores-licoes-em-jornalismo-feito-por-e-para-cria

Reflexões sobre entrevistas com crianças publicadas em duas coletâneas

9788547306694O trabalho de falar com crianças, em entrevistas individuais ou em grupo, desenvolvido durante o meu doutorado, deram origem a dois capítulos de livro, em que falo sobre as dificuldades (e os acertos) ao pesquisar a relação dos pequenos com a mídia.

A obra Trabalho do Pesquisador: Os Desafios da Empiria em Estudos de Recepção” (Appris, 2017) surgiu nas sessões do GT Recepção: processos de interpretação, uso e consumo midiático, realizadas no  Encontro Nacional da Compós de 2016, do qual participei. No livro, organizado por Roseli Figaro e Liliane Brignol, os autores discutem o trabalho do pesquisador em estudos de recepção, discutindo-se o como fazer: “como se planeja e se realiza cada passo da pesquisa; a necessária reflexão sobre as escolhas e os recortes feitos na constituição do objeto, bem como no questionamento das rotinas produtivas do pesquisador em campo”, diz o resumo da obra.

No capítulo de minha autoria, “Deixe as crianças falarem”, trago uma espécie de “diário de campo” do doutoramento, explicitando minhas escolhas metodológicas, as dificuldades enfrentadas durante as situações de entrevistas e a necessidade do compartilhamento de visões de mundo, no lugar do questionamento supostamente “objetivo” e “imparcial”.

paula melgaçoJá a obra “‘Como a tecnologia muda o meu mundo’: imagens da juventude na era digital” (organização de Melgaço, Dias, Souza e Moreira; Appris, 2017) propõe diferentes leituras, realizadas a partir de desenhos feitos por alunos de uma escola de arte, acerca das posições adotadas por jovens quando se veem questionados sobre o lugar que a tecnologia ocupa em suas vidas e de que forma suas subjetividades são afetadas por ela”, segundo a sinopse do livro.

Reproduzo em seguida trecho do prefácio, de autoria de minha orientadora de doutorado, Cristina Ponte (Universidade Nova de Lisboa), em que ela fala do capítulo que escrevi:

É a partir do título da imagem criada por Gabriel Nogueira, Em meio às luzes, que Juliana Doretto, jornalista e especialista em Comunicação/Estudos dos Media, elabora o seu capítulo, Em meio a palavras e sinais. A imagem é quase monocromática e evoca a ‘comodidade tecnológica’: é a tecnologia que introduz os elementos de cor no percurso do jovem urbano, como Juliana observa. Para Gabriel, a tecnologia facilita a sua vida, pois cada vez tem menos de se preocupar com memorizar, procurar informação para trabalho escolar, onde encontrar um serviço. Gabriel expressa nesse ‘encantamento’ pelas luzes do digital uma cultura presente entre jovens brasileiros e portugueses, como de outras partes do mundo, e que Juliana pesquisou no seu doutorado. É com base nessa experiência que a pesquisadora apresenta orientações para o imperativo de ouvir jovens e de observar os seus sinais como condição de uma comunicação entre gerações que favoreça a sua própria reflexão e distanciamento crítico em relação ao ‘encadear digital’: respeitar o conforto do entrevistado, o seu tempo, os assuntos que lhe interessam, observar os seus gestos e posturas, trocar experiências.

 

Disponibilidade: